domingo, 31 de agosto de 2008

Um tempo ao tempo

Nossa vida anda assim, semanas grudadas em semanas, concentrando nossas atividades, emendando os dias, tornando difícil a distinção uns dos outros. Quando vemos já é domingo novamente.
Ontem, um sábado chuvoso, almoçamos com uma amiga querida que não víamos há muito tempo. Perguntamos-nos como é que não nos concedemos desfrutar da nossa amizade com mais freqüência.
Realmente! Ela teve de ir a Cuba e voltar para termos uma desculpa para marcarmos um encontro.
Bia Chaachaa trabalha com gastronomia assim como nós. É dona de uma das lojas árabes mais tradicionais do Rio de Janeiro, o Baalbek da Galeria Menescal em Copacabana.
Depois de um almoço delicioso, tanto pela comida e vinhos como pela conversa que não queria terminar, nos despedimos com promessas de novos encontros e, por que não, com alguns projetos em comum.
Bia disse que uma das coisas que mais gostou da viagem à Cuba foi do tempo, marcado pelos rituais diários que ainda faz parte da vida em Havana. O progresso e o consumismo estão chegando, devarzinho, assim eles ainda tem a vantagem de usufruir uma qualidade de tempo que aqui não existe mais.

A última vez que consegui escrever para o meu Blog foi antes do festival que fiz no Montagu. Tanta coisa aconteceu, mas agora, embalada no movimento de fazer o que me faz bem além do trabalho profissional e doméstico, volto a escrever.

Reinicio com o meu Festival no Montagu.


Fiquei muito satisfeita com o resultado do festival no Bistrô Montagu . Acho que os pratos saíram bonitos, gostosos e inusitados, e a harmonização agradou a todos – principalmente o Agnolotti “dal Plin” ai Gamberi com o Roero Arneis DOC 2005.

Além dos prazeres gastronômicos foi um prazer trabalhar novamente com a minha fiel amiga, a Chef Maria Victória, sua equipe e seu filho, Chef Paulo Goés. Paulinho, como nós o chamamos, me emocionou com sua maturidade – afinal conheço o guri desde o início da adolescência - e tenho a honra de ter dado a ele sua primeira faca. Cozinheiros supersticiosamente não dão facas de presente com medo de cortar a amizade, eu fui cética e quis dar um presente simbólico e encorajador ao rapaz que depois de nos ver trabalhar tanto estava interessado em ingressar na mesma profissão. Pelo visto fiz bem e a próxima faca que darei será para meu auxiliar e primo, Joca. Aposto neste rapaz.

Como fui com Victória para o Piemonte, noroeste da Itália, participar de um curso no ICIF resolvemos fazer dele tema desta festival harmonizado para celebrar uma parceria de longa data. No Montagu não poderia deixar de ser usar uma visão contemporânea de receitas tradicionais da região para oferecer um passeio pela culinária local em duas noites, 5 e 6 de agosto, acompanhada de Duda Zagari, proprietário da Confraria Carioca, que apresentou os tintos harmonizados com o Menu.

Uovo alla Carbonara nel Proprio Guscio
(Ovo à carbonara servido na própria casca)
Vinho: Cuvée Montagu NV


Agnolotti “dal Plin” ai Gamberi
(agnolotti recheado com camarão, servido no cartoccio ao vapor de tomilho)
Vinho: Roero Arneis DOC 2005



Vitello e Bigné Ripieno
(Medalhão de vitelo , Carolina recheada com purê de berinjela e creme de tomate, telha de risotto de açafrão)
Vinho: Poggio Bidini Nero D´Avola 2005



Cinghiale Cotto a Bassa Temperatura
(Javali assado à baixa temperatura, servido com infusão de maçã
e molho de uva)
Vinho: Palagetto Rosso di Montalcino DOC 2004.



Torta di Farro Messisbugo

(receita renascentista com massa perfumada com açafrão, recheada
com frutos e especiarias)

Bistrô Montagu
Tel.: (0xx21) 2493-5966
Avenida Armando Lombardi, 800, Loja -100 C (Condato de Cascais)
Barra da Tijuca
http://www.montagu.com.br/














terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nasce um restaurante


Um nascimento é sempre emocionante, principalmente para quem acompanhou a gestação e suas dificuldades. Domingo passado, dia 2 de agosto, eu e meu marido fomos convidados à pré-abertura do Domenico, restaurante que será batizado amanhã com a sua abertura oficial para o público. http://www.domenicorestaurante.com.br/

Nasceu no Rio de Janeiro, em plena Dias Ferreira, um restaurante italiano, italianíssimo do conceito a cada garfada. Uma homenagem feita por Leonardo Rego, Seu Chico, família, e toda a equipe da rede àquele italiano de Turim que concebeu o La Mole há 50 anos, o imigrante Domenico.

Quem desfrutará o resultado deste tributo são os cariocas. Estávamos mesmo precisando de um restaurante de cozinha italiana autêntica, fresca e aconchegante. Todos estes adjetivos podem se resumir em um único - "simples" - simples em toda sua elegância - assim como a culinária italiana. Acho que o Chef Túlio Colonese, recém chegado de dois anos e meio na Toscana, e seu bravo escudeiro, o maître Augusto Sousa, conseguiram com a ajuda de todos chegar exatamente “lá”.


Meu marido, um piemontês natural de Moretta, festejou: “Que bom, agora podemos comer à italiana fora de casa.”



Depois de ter acompanhado de perto esta gestação e de ter feito parte de todo seu processo estou orgulhosa do nascimento do nosso rebento.
DOMENICO
rua dias ferreira, 147 :: leblon :: rio de janeiro :: telefone 2239 6614

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Festival Ciça Roxo no Montagu - dias 5 e 6 de agosto


Eu e Victoria fomos ao Piemonte juntas fazer um curso de gastronomia italiana no ICIF em 2001. Nesta viagem, além das aventuras e desbravamentos na gastronomia e cultura italiana, conheci meu marido. Giancarlo, um piemontês de Moretta, era diretor da escola de Costigliole D'Asti.
Nossa história, minha e de Victoria, começou anos antes, em 1996, quando eu era sua professora na minha escola de culinária, Queridas Primas.
De aluna Victoria passou a ser minha sócia. Tivemos um bufê e um curso de culinária na In House do Barra Point chamado Cook's Club.
Trabalhamos juntas até hoje em eventos gastronômicos. No Boa Mesa, hoje Casa Boa Mesa, organizamos o backstage das aulas desde 1998.

Para comemorar nossa parceria gastronômica e nossa forte amizade, Victoria, Rodrigo e Paulo, respectivamente marido e filho, me convidaram para fazer um festival no Bistro Montagu. Cheia de orgulho e honra aceitei.

Farei 4 pratos e 1 sobremesa inspirados no Piemonte. Digo inspirados porque me dei liberdade poética . Ficou bastante interessante.


A Vinea Store http://www.vineastore.com.br/ , parceira do Montagu, irá acompanhar os pratos com vinhos italianos pela seu representante no Rio, Duda Zagari. Duda pessoalmente apresentará os vinhos para quem desejar.











Agora só falta o prestígio da presença de vocês, dias 5 e 6 de agosto no Bistrô Montagu.

Menu

Uovo alla Carbonara nel proprio guscio - Ovo à carbonara servido na própria casca;
vinho: Cuvée Montagu (espumante da casa, feito pelo método tradicional)

Agnolotti “dal Plin ” ai gamberi: - agnolotti "dal plin" recheado com camarão, servido com vapor de tomilho
vinho: Roero Arneis DOC 2005

Vitello e Ripieno de Melanzane - medalhão de vitelo acompanhado por carolina recheada com purê de tomate e creme de berinjela e telha de risotto de açafrão
vinho: Poggio Bidini Nero D´Avola 2005,

Cinghiale cotto a bassa temperatura - javali assado à baixa temperatura, servido com infusão de maçã e molho de uva.
vinho: Rosso Di Montalcino DOC 2004

Sobremesa
Torta de Faro Messisbugo
Receita renascentista feita com massa de açafrão e especiarias, recheio de frutas secas, acompanhada de compota de limão galego e iogurte de mel e laranja


Preço por pessoa: R$150,00
Reservas: (21) 2493-5966
Bistrô Montagu
Avenida Armando Lombardi, 800, Loja -100 C Barra da Tijuca - Rio de Janeiro-RJ http://www.montagu.com.br/

terça-feira, 22 de julho de 2008

Um pouco da minha história - memórias dos sabores

A história de um cozinheiro, independentemente de que rumos tome, amador ou profissional, sempre começa com uma paixão infantil despertada na criança pelos vapores mágicos vindos da cozinha, barulhos agradáveis, promessas de bem estar, afetos comunicados por bocados, generosos quitutes feitos com o tempero do prazer e do amor.

A minha começou assim.

Minha mãe, prendada nas artes manuais, e do bom gosto, sempre cozinhou bem, mas tinha medo de desagradar e isso reduziu o seu repertório. Não importa, comemorei 40 anos este mês com a sua receita de bolo de morango responsável por muitos aniversários deliciosos. Hoje em dia encontramos morango o ano todo, mas quando era menina morango só dava no inverno e tinha sabor de festa, porque faço anos em julho. Lógico que a primeira receita que aprendi foi do pão-de-ló da mamãe.


Nós morávamos em São Paulo, longe das famílias dos meus pais, que são de Petrópolis e do Rio.Sou uma paulista carioca. Só me sentia "em casa" quando o carro era "tocado" pelo cheiro da maresia ao se aproximar da Avenida Atlântica, onde se encontrava a casa da minha avó paterna. Lá também nos esperavam outros aromas de boas-vindas, carne assada, pernil, língua defumada com grão de bico, cuscuz-paulista (rárárá), bolo de chocolate - nunca mais comi outro igual ao da Dite e da Gagá, as mineiras empregas da vovó - tutu mineiro e tantos outros.

Certo, a comida era deliciosa, no entanto tão importante quanto seu paladar era a afetividade e seu efeito agregador. Imaginem só que para mim as comidas das férias simbolizavam a alegria de estar com os primos e de pertencer às histórias familiares dos meus pais. Meu maior sonho era ter aquela celebre refeição de domingo na casa dos avós com a família. Nunca tive isto e pelo visto só poderei ter quando eu mesma for avó, pois moro a 400 km dos meus pais e a um oceano de distância da família do meu marido.

Cheguei...

Meus caros,

É com grande satisfação que inauguro o meu espaço de reflexões, lugar onde pretendo compartilhar com vocês minha paixão pela gastronomia e pela vida.