Semana passada meu assistente,Joca, e eu fomos à Petrópolis, dar uma aula e fazer um jantar no Restaurante Quitandas, norecémreformado Quitandinha.
O Chef SidneyChristo e seu sócio Marcelo, me convidaram.
Esta é a cozinha antiga que será reformada agora.
Aceitei o convite para cozinhar no Quitandas, contente, porque conheço o Sidney a algum tempo e ainda não havíamos trabalhado juntos, e porque tenho um carinho especial por Petrópolis.
Minha mãe é petropolitana, eu e meus irmãos somos paulistas.Meus pais mudaram para São Paulo quando meu pai foi chamado para fazer parte da equipe de cirurgiões plásticos que inauguraram o Hospital Defeitos da Face.
Meu avô, Guilherme Pedro Eppinghaus,alemão de descendência, foi o engenheiro arquiteto responsável pela construção da Catedral de Petrópolis. Tenho orgulho disto.
Minha relação com a cidade havia sido somente familiar e afetiva, até agora. Tive muito gosto de treceber o convite para mostrar meu trabalho lá, principalmente em um lugar histórico como o Quitandinha.
Mais uma coincidência, fui visitar pela primeira vez o Restaurante Quitandas com meu pai. Lá ele reconheceu um casal que estava com seu filho. Crisane era irmã da melhor amiga da minha mãe e seu filho, jovem arquiteto, faz parte da equipe responsável pela reforma do Quitandinha.
O Quitandinha foi construído em 1944 por Joaquim Rolla para ser Hotel e Cassino, na época o maior cassino da América Latina – 50.000m². Em 1946 o Presidente Dutra proibiu o jogo no Brasil e o Quitandinha não conseguiu sobreviver por muitos anos somente como hotel .
A geração de meu pai se lembra de freqüentar o hotel e sua piscina. Meu tio Norman me mostrou um livreto de marketing do Quitandinha de 1944. Realmente era imponente.
Hoje é possível fazer uma visita guiada ao hotel e fazer uma refeição no Quitandas nos pratos originais.
Desde 1997 organizamos o backstage deum evento gastronômico, o Boa Mesa.
O Boa Mesa foi o precursor dos eventos gastronômicos no Brasil, criado pelo crítico paulista Josimar Melo.
Da formação original do evento só sobraram Victoria e eu, o backstage, aestrutura que organizamos para que os chefs dêem suas aulas e workshops.
Tantos passaram por lá, Bassoleil, Laurent,Trois Gros, Alex Atala, Cordon Bleu, ICIF, Alain Passard, Mari Hirata, Hubert Keller, François Payard, Edinho Engels, Carla Pernambuco, Francesco Carli, Fabrice Lenud, Patricia Wells, David Chang.... Uma lista enorme.
O evento já chegou a oferecer 3 aulas e 2 workshops aomesmo tempo, sem contar com as degustações. Pequenos produtoresjá tiveram seu espaço; o trade de vinho floresceu, pessoas inesquecíveis deixaram sua marca, chefs firmaram suas carreiras. Muitas mudanças aconteceram na gastronomia e no Brasil de lá para cá.
Este mês inauguramos a primeira edição deste tipo de evento na Bahia, o Bahia Gourmet, de Edinho Engel eLícia Fábio, em Salvador, ao velho e bom estilo do Boa Mesa.
A consultoria de Ana Paula Vitali fez jus aos seus anos de trabalho no Boa Mesa e conhecimento adquirido, que junto com a experiência dos colaboradores de Lícia – destaque especial para o arquiteto Fernando – e o carisma de Edinho fez deste evento um sopro de boas novas na gastronomia nacional.
Os chefs foram convidados a usar ingredientes locais e nós tivemos a oportunidade de conhecer e experimentar tantas riquezas da nossa terra. Teresa Paim nos levou para almoçar no Paraíso Tropical – nome corretíssimo para o pomar de 60 mil metros quadrados de Beto Pimentel. Beto que é agrônomo formado em Piracibaca nos brindou com uma caipirinha de pitanga recém tirada do pé e uma cozinha extremamente inventiva, fincada nas técnicas da cozinha baiana. Sua moqueca tinha mais frutas do que proteína. Estava uma gostosura! Tudo estava delicioso: arroz Nabucetê (quem conhece o Beto entende o nome), moqueca de Calapolvo, molho lambão com biribiri, farofa de dendê (farinha baiana é de dar vontade de viver lá, e dendê... um capítulo à parte a ser explicado pela Teresa Paim)
E vocês conhecem biribiri (fruta ácida que Beto usa no lugar de limão em algumas receitas), pitanga negra (a cereja do Nordeste), maturi (castanha de caju verde) ou umbu-cajá? Nham-nham... Estou pronta para voltar para a Bahia e ser guiada pelos meus novos amigos em explorações brasileiras de dar orgulho e suscitar paixões gastronômicas.
Flávio Federico, Chef pâtissier e proprietário do Sódoces www.sodoces.com.br , concorda comigo, cabe aos brasileiros conhecerem e explorarem mais os ingredientes da nossa terra.
Não se esqueçam, em Salvador não deixem de ir ao Amado www.amadobahia.com.br(entrem no site e comecem a apreciar as gostosuras by Edinho e a beleza natural do local); de almoçar no Paraíso Tropical (se estiver muito cheio voltem outro dia, o bom mesmo é desfrutar as maravilhas deste sítio guiado pelo dono e chef Beto Pimentel) e a gastronomia franco baiana de Marc Le Dantec.
Eu fiquei me devendo ir ao Mistura Fina e ao Terreiro Bahia, mas certamente há muitos outros deliciosos programas gastronômicos em Salvador. Deixo para vocês a tarefa de nos informar.
Restaurante Amado
Av. Lafayete Coutinho, 660, Comércio, Salvador, Bahia